dragões de jorge
   
 
 

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    solo em sol pra garota do abismo

     

     

    apóie sua cabeça

    onde meu coração costumava estar

    e segure a terra abaixo de mim

    tom waits

     

     

     

     

    puxe-me para o alto, garota do abismo. sou um pássaro espantalho com um grilo falante gritando frases de fogo de rimbaud as quatro e meia da madrugada dentro da minha cabeça e esses sete mil demoniozinhos trabalhando duro e fazendo a festa dia e noite aqui no peito.

     

    e você queima os alicerces, garota do abismo.

     

    seu olhar de eletricidade e fúria fura as paredes dos apartamentos e há um silêncio quente na palma da sua mão que paralisa aviões, pássaros e assassinos em pleno vôo.

     

    então exorciza meus cabelos no inferno. faz derreter os extintores dos prédios centrais com apenas um sorriso de gelo moído e garoa paulistana e me ame com força e destruição dentro dos elevadores, nas esquinas, nas escadas rolantes, no quarto escuro do hotel paraíso.

     

    básico instinto na tequila evaporada, garota do abismo.

     

    isto é, quero você no núcleo do meu medo: nua, suada, louca, irreversível, gritando meu nome dentro da madrugada imóvel. quero que você me ensine a dançar sobre as brasas, garota do abismo, e que ria, gargalhe na minha cara de cachorro otário se eu quiser voar com minhas botas e meias parnasianas pelo seu céu de ácidas nuvens rubras.

     

    - vamos deslizar descalços pelo sangue dos heróis, garota do abismo.

     

    você sabe, eu não quero nenhum modelo de paz & felicidade no cartão com juros baixos daqui a trinta dias. não quero cultura medieval nem malabares. não quero deus nem do oriente nem do ocidente (sou mais os demônios do tibet). não quero semiótica. não quero a lua enamorada e nem outra bosta mediática século 18 fazendo sombra na nossa onda. quero é sua frase violenta contra os rochedos, esse dulcíssimo punhal que você trás na língua e o seu corpinho de pêssego corrosivo que explode estrelas e faz tremer oceanos.

     

    o resto deixa comigo, garota do abismo.

     

    quero dizer que estou a-bo-ba-da-men-te apaixonado e pedindo que me livre dos garotos maus com suas hemorróidas e mixórdias do subsolo, das gatinhas manhosas da bad trip com lápis preto delineando olhos de açúcar vomitivo e tatuagens tribais nas ancas gelatinosas. distância, garota do abismo, dos embusteiros com suas proparoxítonas de flores de plástico e oficinas literárias e blues da piedade.

     

    quero a gente desconexos e leros boleros tangos e outras delícias e isso quer dizer sérgio sampaio ou me leve pru inferno, garota dos abismo.

     

    deixe-me adormecer no meio das suas coxas de sal e tempestade abrupta, morder devagar e minuciosamente os mamilos carnudos como dois frutos proibidos e gozar na sua agonia de menina selvagem, por enquanto.

     

    eu sei, garota do abismo, que não acreditamos na suavidade dos tons róseos e nem no amor como forma de apodrecimento e tudo que eu tenho 80% será seu incondicionalmente (só preciso dos 20% restantes para o caso de emergência, você sabe), o resto a gente inventa sangrando ou fazendo chover ou se divertindo com os incêndios.

     

    então para o trapézio agora, garota do abismo!

     

    vamos pular, claro.

     

    eu primeiro? você primeiro? nós dois juntos?

     

    você diz 1 e eu digo no 1 a gente dá 2 e no 3 a gente sarta de banda,

     

    dançando.

     

    pru alto, garota do abismo.

     

    beleza?

     

     

     

     



    Escrito por jorge mendes às 13h12
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