dragões de jorge
   
 
 

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    o projeto palavra-porrada publicou ícaro no labirinto e suíte 21, dois poemas meus. é só dá o confere aqui http://palavraporrada.blogspot.com/



    Escrito por jorge mendes às 11h42
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    febre

     

    “eu fico com essa dor

    e a vontade de não ser”

    luis melodia

     

     

    a febre do mundo me pegou, dragões. vê essas mãos? são minhas. duas. na ponta dos dedos unhas, luas, eletricidade.

     

    o céu debaixo dos pés, dragões.

     

    quero dizer, não vou voar. vou solar o asfalto. também não vou amar aos pingos. vou morder o desejo com dentes de mar em fúria e gritar acordando náufragos, cães, viúvas.

     

    a febre do mundo me pegou, dragões.

     

    um planeta feroz aqui no peito. uma dor que não vai passar nem com beijinhos de nina e doses e mais doses de conhaque e asfalto quente em todas as esquinas.

     

    ocorre, dragões, que me apaixonei pelas pedras, pela minha doce paranóia, pela música cáustica que vem do fundo do abismo. por isso esse olhar na tempestade, dragões.

     

    isto é, o amor não vem e, quando vem, faz doer, quer ser espelho, novelinha rodriguiniana e eu só quero leminski, intensidade, acelerar na curva. dentro do túnel saborear a cor vermelha.

     

     

    a febre do mundo me pegou, dragões.

     

    daí a vontade de não ser. de mastigar o mundo. de amar incondicionalmente o infinito breu. vontade de desaparecer na ácida bruma. ser ninguém, me dissolver no ébrio beijo da noite aflita.

     

    então deixa sangrar, dragões.

     

    deixa o vagabundo coração seguir pelas ruas farejando putas e assassinos e anjos entorpecidos pelo álcool forte da madrugada indomável: sombras nos muros, tempestades de sal, escadas rolantes, metrô, fumaça tóxica e a luz do meio-dia me alimentando de incêndios e avenidas.

     

    a febre do mundo me pegou, dragões.

     

    vê esses olhos negros na luz acrílica da manhã? esse áspero olhar de tristeza indissolúvel? 

     

    são meus.

    vai encarar?    



    Escrito por jorge mendes às 23h25
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